Com 14 concelhos, o distrito de Évora reúne cerca de 2% das empresas portuguesas que apresentaram contas. A distribuição é ampla, mas a capital de distrito mantém uma posição dominante, concentrando 37% do tecido empresarial local. Montemor-o-Novo segue com 11%, Estremoz com 9%, Reguengos de Monsaraz com 7%, Vendas Novas com 6% e Vila Viçosa com 5%. Os restantes oito concelhos repartem entre si apenas um quarto das empresas, evidenciando o forte peso da cidade de Évora na dinâmica económica do distrito.

Em 2025, o distrito de Évora registou uma quebra expressiva de 21% nos processos de insolvência face ao ano anterior, um sinal claro de maior estabilidade no tecido empresarial local. Em paralelo, o número de novas empresas voltou a crescer, com um aumento de 9% nas constituições, reforçando a dinâmica empreendedora que marcou o último ano e sublinhando a vitalidade económica da região.
Estrutura empresarial: microempresas dominam, mas PME lideram faturação
O tecido empresarial deste distrito é composto maioritariamente por microempresas (89%), refletindo um perfil económico de forte base local. As pequenas empresas representam 10% e as médias apenas 1%, enquanto as grandes empresas não chegam a 1%.
Contudo, quando analisado o volume de negócios, o cenário altera se significativamente:
• Pequenas empresas: 40% da faturação
• Médias empresas: 27%
• Microempresas: 21%
• Grandes empresas: 13%
Setores de atividade: serviços lideram em número, indústria lidera em faturação

A estrutura empresarial de Évora revela um claro predomínio dos serviços, que reúnem 41% das empresas, seguidos pela agricultura, com 17%, embora ambos os setores representem apenas um quarto da faturação total. Já a indústria, apesar de representar apenas 7% do universo empresarial, gera quase um terço do volume de negócios do distrito, destacando-se como um dos motores económicos mais fortes. Acima dela surgem apenas as atividades classificadas como “Outros”, responsáveis por 38% da faturação, um grupo que inclui comércio, turismo e setores menos tradicionais, mas que, em conjunto, assumem um peso determinante na dinâmica económica eborense.
A análise da antiguidade empresarial em Évora mostra um tecido económico equilibrado entre novos projetos e negócios consolidados. Cerca de 30% das empresas iniciaram atividade há cinco anos ou menos, refletindo renovação e dinamismo no distrito. Outras 32% existem entre seis e quinze anos, enquanto 38% têm mais de dezasseis anos, uma proporção que evidencia a relevância das empresas mais maduras e a sua capacidade de permanência no mercado local.
A análise do score de risco de crédito mostra um distrito marcado pela prudência, com 45% das empresas de Évora a apresentarem risco moderado e 36% classificadas com risco baixo, sinal de estabilidade na maioria do tecido empresarial. Ainda assim, 19% enfrentam um nível de risco elevado, o que evidencia fragilidades em parte do mercado. Destaca-se também a inexistência de empresas com risco mínimo e a presença residual de entidades com o score de risco máximo, apenas 42 num universo de 10 472 empresas, reforçando que situações de risco extremo continuam a ser excecionais no distrito.
O prazo médio de pagamento das empresas de Évora registou um ligeiro agravamento, passando de 80 para 82 dias entre 2023 e 2024, um sinal de maior pressão na tesouraria e de maior demora no cumprimento das obrigações a fornecedores. Em contraste, o prazo médio de recebimento manteve-se estável nos 66 dias em ambos os anos, indicando que, apesar de um ambiente económico mais desafiante, a capacidade das empresas para cobrarem no mesmo ritmo não se alterou.
No mesmo período, o volume de negócios do distrito refletiu um recuo considerável, diminuindo de 3,6 mil milhões de euros em 2023 para 3,4 mil milhões em 2024, o que revela uma contração relevante na atividade económica. Também a taxa de exportação acompanhou esta tendência, descendo de 32 para 30,7%, mostrando uma redução da projeção internacional das empresas de Évora e evidenciando uma maior dependência do mercado interno no último ano.
