O mais recente Estudo de Gestão do Risco de Crédito em Portugal promovido pela Crédito y Caución e pela Iberinform deteta diversas deficiências na gestão da política de riscos comerciais das empresas. Apenas 10% das empresas portuguesas criaram comités de risco comercial que permitem a revisão, aprovação e recomendação de limites na exposição ao risco para controlar de forma sistemática e transversal a evolução da sua carteira de clientes. De acordo com os dados obtidos a partir da consulta a mais de 400 gestores de empresas, 56% das empresas inquiridas não têm integrado o uso de critérios de solvência na seleção de clientes, 75% também não contam com qualquer manual interno que defina a política de riscos comerciais e em 20% dos casos não há nenhum departamento responsável pela sua gestão.

Cada vez mais empresas estão a implementar ferramentas de Inteligência Artificial para a otimização de processos, uma vez que estas permitem agilizar os tempos de execução e resposta. No caso da gestão do risco comercial, as soluções de IA podem ser um apoio na tomada de decisões, ao permitirem avaliar um maior volume de dados, complementando o aconselhamento profissional de agentes externos, como o oferecido pelas seguradoras de crédito. Assim, embora apenas 2% das empresas já tenham implementado este tipo de ferramentas, 37% têm planeada a sua implementação a curto prazo.

A direção de topo tem uma forte influência na definição da política de riscos comerciais. De acordo com o Estudo de Gestão do Risco de Crédito em Portugal, o principal executivo de 41% das empresas está diretamente envolvido na gestão do risco de crédito.

Face a este papel do diretor-geral como último decisor, a existência de unidades de risco continua a registar valores mínimos: apenas 8% das empresas conta com áreas especializadas na gestão de risco de crédito comercial. O peso da gestão técnica da política de riscos comerciais continua a recair, como uma tarefa mais, sobre os departamentos financeiros (54% das empresas), ocasionalmente em coordenação com as direções comerciais (17% das empresas) que fazem a gestão direta da carteira de clientes e a prospeção de vendas no mercado potencial.
