A morosidade tem um impacto negativo em 72% das empresas portuguesas, de acordo com o mais recente Estudo de Gestão do Risco, realizado pela Crédito y Caución e pela Iberinform. Mais de 400 empresas participaram nesta análise, que aprofunda o impacto dos incumprimentos na saúde financeira das organizações.
Os atrasos nos pagamentos aumentam os custos financeiros em 34% dos casos, geram perdas de receitas para 29% das empresas e colocam em risco a continuidade do negócio em 14% das organizações.
Esta realidade constitui também um travão à capacidade de expansão da atividade comercial. Em concreto, 34% dos participantes neste estudo asseguram que a morosidade limita o crescimento das suas empresas.

Destaca-se ainda o facto de 53% das empresas terem de aceitar prazos de pagamento superiores aos desejados para conseguirem manter a sua carteira de clientes nas operações B2B, principalmente devido à falta de liquidez dos seus clientes. A capacidade dos trabalhadores independentes para impor prazos de pagamento reduz-se a 9%. No caso das PME, este valor atinge os 25%, enquanto nas grandes empresas se situa nos 23%.
Apesar disso, o Estudo de Gestão do Risco identifica várias fragilidades na gestão da política de risco comercial das empresas. Apenas 10% criaram comités de risco comercial que permitem rever, aprovar e recomendar limites de exposição ao risco, assegurando um controlo sistemático e transversal da evolução da carteira de clientes.
A existência de unidades especializadas de risco continua igualmente a registar níveis muito reduzidos: apenas 8% das empresas dispõem de áreas dedicadas à gestão do risco de crédito comercial.

Para além do risco de crédito dos seus clientes, as empresas participantes neste estudo apontam como principais desafios para a sua atividade comercial o contexto geopolítico (38%), as cargas burocráticas e regulamentares (33%), os atrasos nos pagamentos (31%), os custos laborais (31%), as margens comerciais (30%) e as dificuldades na captação de novos clientes (25%).
Por outro lado, 15% das empresas identificam a adaptação tecnológica à Inteligência Artificial como um dos seus principais desafios. Atualmente, apenas 2% já implementaram este tipo de ferramentas, embora 37% planeiem fazê-lo a curto prazo.
Estas são algumas das principais conclusões da vaga de primavera da radiografia que a Crédito y Caución e a Iberinform elaboram semestralmente para acompanhar o comportamento de pagamento e a evolução do risco de crédito no tecido empresarial português
