Crescimento das insolvências no primeiro trimestre do ano contrasta com maior orientação exportadora no distrito de Setúbal

05 JUNHO 2026
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O tecido empresarial do distrito de Setúbal é dominado por microempresas e apresenta uma forte concentração geográfica em Almada e Seixal.

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Os dados revelam uma dinâmica empresarial preocupante no distrito de Setúbal, com as insolvências a registarem um crescimento expressivo de 38%, enquanto as constituições apresentam uma redução de 4%. Este movimento sugere um desequilíbrio entre entradas e saídas do mercado, refletindo um contexto de maior pressão financeira sobre o tecido empresarial no período analisado.

 

 

A concentração geográfica é claramente liderada pelos concelhos de Almada e Seixal, cada um com 22% das empresas. Seguem-se Setúbal com 18%, Palmela com 15% e Montijo com 9%, enquanto o Barreiro representa 8% e os restantes concelhos apresentam quotas mais reduzidas. Este padrão evidencia uma forte polarização da atividade económica ao longo da margem sul do Tejo e na faixa litoral do distrito.

O tecido empresarial é marcadamente composto por microempresas, que representam 90% do total. As pequenas empresas correspondem a 9%, enquanto as médias empresas têm uma expressão residual de apenas 1%. Esta estrutura reforça a predominância de organizações de menor dimensão, mais sensíveis a variações de liquidez e a condições de financiamento mais restritivas.

Em termos de risco, 41% das empresas situam-se em risco médio e 30% em risco baixo. As empresas classificadas em risco elevado representam 29%, enquanto o risco máximo tem um peso residual. O perfil global aponta para um nível de risco moderado, mas com uma parcela relevante em risco elevado que exige acompanhamento contínuo, particularmente num contexto de crescimento das insolvências.

A distribuição por antiguidade revela um tecido empresarial relativamente maduro. As empresas entre 6 e 10 anos representam 25% do total, seguidas pelas empresas entre 2 e 5 anos com 21%. Os segmentos entre 11 e 15 anos e entre 16 e 25 anos representam, respetivamente, 14% e 13%, enquanto as empresas com mais de 25 anos somam 16%. As empresas até 1 ano representam apenas 11%, confirmando uma renovação empresarial moderada.

O setor dos serviços domina claramente a atividade económica, concentrando 45% das empresas. Seguem-se os transportes com 24% e a construção com 8%. A indústria representa 5%, as finanças 1% e a agricultura 3%, com as restantes atividades a somar 14%. A forte presença de transportes reflete a vocação logística e portuária do distrito de Setúbal.


Queda no volume de negócios contrasta com crescimento da taxa de exportação

 

 

A taxa de exportação cresceu de 38,3% para 40,9% do volume de negócios. Este reforço da orientação internacional das empresas do distrito de Setúbal é um sinal positivo, contribuindo para a diversificação das fontes de receita e para uma maior resiliência face à conjuntura interna.

O volume de negócios registou uma contração significativa, de 32 167 milhões de euros em 2023 para 30 893 milhões de euros em 2024. Esta redução contrasta com a evolução positiva da taxa de exportação e sugere uma pressão crescente sobre a atividade económica interna do distrito.

O prazo médio de pagamento agravou-se de 46 para 50 dias, enquanto o prazo médio de recebimento melhorou de 50 para 45 dias. Esta evolução divergente revela uma pressão financeira crescente no relacionamento comercial entre empresas.

Em síntese, o distrito de Setúbal apresenta um tecido empresarial dominado por microempresas, com forte vocação exportadora e uma presença relevante do setor de transportes. No entanto, o aumento expressivo das insolvências, conjugado com a contração do volume de negócios e o agravamento dos prazos de pagamento, reforça a importância de uma análise de risco individualizada. A leitura integrada destes indicadores permite distinguir empresas com crescimento sustentável daquelas mais expostas a tensões de liquidez, tornando a análise de risco um fator decisivo na avaliação comercial.

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