O distrito de Viseu apresenta uma evolução negativa da dinâmica empresarial. As insolvências registaram um aumento de 69%, enquanto as constituições de empresas diminuíram 16%, no primeiro trimestre de 2026. Este comportamento simultâneo sugere uma diminuição da base empresarial, com maior pressão de saída do mercado e um ritmo de criação de empresas inferior ao observado no mesmo período de 2025.

A distribuição geográfica mostra uma concentração clara no concelho de Viseu, que reúne 32% das empresas do distrito. Seguem-se Tondela com 7%, Lamego com 6%, Cinfães com 5% e Mangualde com 4%. Os restantes concelhos representam, em conjunto, 41% do total, refletindo uma dispersão relevante fora do principal polo económico, mas com forte centralização administrativa e empresarial.
O tecido empresarial é maioritariamente composto por microempresas, que representam 86% do total. As pequenas empresas correspondem a 13%, enquanto médias e grandes empresas apresentam uma expressão residual, próxima de 1%. Esta estrutura evidencia um distrito assente em empresas de pequena escala, mais expostas a constrangimentos financeiros e à evolução dos ciclos económicos.
Do ponto de vista do risco, 38% das empresas encontram-se classificadas em risco baixo e 40% em risco médio. As empresas em risco elevado representam 21%, enquanto o risco máximo tem um peso residual de 1%. O perfil global aponta para um risco maioritariamente controlado, embora com uma componente significativa que justifica acompanhamento regular.
A análise da antiguidade revela um tecido empresarial equilibrado. As empresas com mais de 25 anos representam 17%, enquanto aquelas entre 16 e 25 anos correspondem a 20%. As empresas mais recentes, até cinco anos, somam 31% do total, indicando renovação progressiva, mas sem perda do peso das estruturas mais maduras.
Os serviços concentram 40% da atividade empresarial do distrito, assumindo-se como o principal motor económico. A indústria representa 13%, a agricultura 7%, os transportes 4% e a construção 2%. A categoria de outras atividades representa 26%, refletindo diversidade setorial, ainda que com clara predominância dos serviços.
Volume de negócios em Viseu ultrapassa 10,4 mil milhões de euros com exportações a representar 31,2%

O prazo médio de pagamento registou uma ligeira melhoria, passando de 69 dias em 2023 para 68 dias em 2024. Apesar da redução marginal, os prazos mantêm-se elevados, coerentes com a elevada proporção de microempresas.
O prazo médio de recebimento aumentou ligeiramente, de 62 para 63 dias. Este movimento aproxima os prazos de recebimento dos prazos de pagamento, reduzindo o desfasamento financeiro, mas mantendo pressão sobre a liquidez.
O volume de negócios agregado cresceu de 10 195 milhões de euros em 2023 para 10 464 milhões de euros em 2024. Este crescimento acompanha a redução das insolvências e o aumento das constituições, sinalizando reforço da atividade económica no distrito.
A taxa de exportação manteve-se estável nos 31,2% do volume de negócios, indicando uma exposição internacional consistente, sem alterações relevantes entre os dois anos analisados.
O distrito de Viseu apresenta um perfil de risco globalmente controlado, sustentado pela redução das insolvências, crescimento do volume de negócios e peso significativo de empresas em risco baixo e médio. No entanto, a forte presença de microempresas e a manutenção de prazos financeiros elevados reforçam a necessidade de análise de risco individualizada. Esta leitura diferenciadora continua a ser determinante para identificar empresas com maior capacidade de resiliência num tecido empresarial em expansão, mas estruturalmente sensível.
